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03 setembro 2013

Sem Ana!


De todos aqueles dias seguintes, só guardei três gostos na boca – de vodca, de lágrima e de café. O de vodca, sem água nem limão ou suco de laranja, vodca pura, transparente, meio viscosa, durante as noites em que chegava em casa e, sem Ana, sentava no sofá para beber no último copo de cristal que sobrara de uma briga. O gosto de lágrima chegava nas madrugadas, quando conseguia me arrastar da sala para o quarto e me jogava na cama grande, sem Ana, cujos lençóis não troquei durante muito tempo porque ainda guardavam o cheiro dela, e então me batia e gemia arranhando as paredes com as unhas, abraçava os travesseiros como se fossem o corpo dela, e chorava e chorava e chorava até dormir sonos de pedra sem sonhos. O gosto de café sem açúcar acompanhava manhãs de ressaca e tardes na agência, entre textos de publicidade e sustos a cada vez que o telefone tocava. Porque no meio dos restos dos gostos de vodca, lágrima e café, entre as pontadas na cabeça, o nojo na boca do estômago e os olhos inchados, principalmente às sextas-feiras, pouco antes de desabarem sobre mim aqueles sábados e domingos nunca mais com Ana, vinha a certeza de que, de repente, bem normal, alguém diria telefone-para-você e do outro lado da linha aquela voz conhecida diria sinto-falta-quero-voltar. Isso nunca aconteceu.
                        (Caio Fernando Abreu. Sem Ana, Blues. In: Os Dragões Não Conhecem o Paraíso)

21 agosto 2013

O Afogado!


Não conseguia aterrorizar-se, e há muito tempo não sentia frio. Fizera seu aprendizado de solidão enquanto as coisas sentidas a cada dia tornavam-se mais e mais semelhantes, para finalmente permanecerem numa massa informe a escorrer monótona por dentro dele, alterando-se apenas em insignificantes cintilações cotidianas. Apenas reagia. Tudo ali estaria para sempre excessivamente silencioso para que se pudesse soltar um grito ou chorar sozinho no escuro, como nos primeiros tempos. E ainda que gritasse: o silêncio se ria maior e mais desesperado que qualquer grito, porque todos gritavam e agiam da mesma forma, calada e idêntica.
(Caio Fernando Abreu. O Afogado, in: O Ovo Apunhalado)

23 junho 2013

Lembranças Mal Lembradas


A maioria dos nossos tormentos não vem de fora, está alojada na nossa mente, cravada na nossa memória. Nossa sanidade (ou insanidade) se deve basicamente à maneira como nossas lembranças são assimiladas. "As pessoas procuram tratamento psicanalítico porque o modo como estão lembrando não as libera para esquecer". Frase do psicanalista Adam Phillips, publicada no livro "O flerte". Como é que não pensamos nisso antes? O que nos impede de ir em frente é uma lembrança mal lembrada que nos acorrenta no passado, estanca o tempo, não permite avanço. A gente implora a Deus para que nos ajude a esquecer um amor, uma experiência ruim, uma frase que nos feriu, quando na verdade não é esquecer que precisamos: é lembrar corretamente. Aí, sim: lembrando como se deve, a ânsia por esquecimento poderá até ser dispensada, não precisaremos esquecer de mais nada. E, não precisando, vai ver até esqueceremos. Ah, se tudo fosse assim tão simples. De qualquer maneira, já é um alento entender as razões que nos deixam tão obcecados, tristes, inquietos. São as tais lembranças mal lembradas. Você fez 5 anos, sonhava ganhar a primeira bicicleta, seu pai foi viajar e esqueceu. Uma amiga íntima, que conhecia todos os seus segredos, roubou seu namorado. Sua mãe é fria, distante, e percebe-se que ela prefere disparadamente sua irmã mais nova. E aquele amor? Quanta mágoa, quanta decepção, quanto tempo investido à toa, e você não esquece - passaram-se anos e você, droga, não esquece. Essas situações viram lembranças, e essas lembranças vão se infiltrando e ganhando forma, força e tamanho, e daqui a pouco nem sabemos mais se elas seguem condizentes com o fato ocorrido ou se evoluíram para algo completamente alheio à realidade. Nossa percepção nunca é 100% confiável. O menino de 5 anos superdimensionou uma ausência que foi emergencial, não proposital. Você nem gostava tanto assim daquele namorado que sua amiga surrupiou (aliás, eles estão casados até hoje, não foi um capricho dela). Sua mãe tratava as filhas de modo diferenciado porque cada filho é de um modo, cada um exige uma demanda de carinho e atenção diferente, o dia que você tiver filhos vai entender que isso não é desamor. E aquele cara perturba seu sono até hoje porque você segue idealizando o sujeito, recusa-se a acreditar que o amor vem e passa. Tudo parecia tão perfeito, ele era o tal príncipe do cavalo branco sem tirar nem pôr. Ajuste o foco: o coitado foi apenas o ser humano que cruzou sua vida quando você estava num momento de carência extrema. Libere-o desta fatura. São exemplos simplistas e inventados, não sou do ramo. Mas Adam Philips é, e me parece que ele tem razão. Nossas lembranças do passado precisam de eixo, correção de rota, dimensão exata, avaliação fria - pena que nada disso seja fácil. Costumamos lembrar com fúria, saudade, vergonha, lembramos com gosto pelo épico e pelo exagero. Sorte de quem lembra direito.

Martha Medeiros

04 fevereiro 2013

Pequenas loucuras do bem!

Oi meninas vocês conhecem a campanha “Let’s Go Crazy” lançada pela Coca-Cola? Essa campanha apresenta pessoas que doam um pouquinho de seu tempo ou dinheiro para deixar a vida de outras pessoas mais felizes.
 O que nós consideramos loucura, como doar todos os seus presentes de aniversário ou sair por aí cumprimentando desconhecidos, pode fazer a vida de muitas pessoas mais leves e felizes. É esse tipo de atitude que a Coca-Cola convida a tomar em sua nova campanha “Let’s Go Crazy”.
A campanha é composta por uma série de vídeos, que chamam o público a "enlouquecer e fazer o bem para os outros", incluindo uma versão dirigida por Henry-Alex Rubin com a trilha sonora "Give a Little Bit" por Roger Hodgson (da banda “Supertramp”).
Segundo o site Popsop, a novidade foi criada em parceria com a Ogilvy Brasil para celebrar aqueles que compartilham energia positiva dentro de suas comunidades, criando momentos mais agradáveis e divertidos entre as pessoas que os cercam. A ideia é de que mesmo que eles possam parecer um pouquinho malucos para a maioria das pessoas, a sua contribuição para tornar o mundo mais feliz é verdadeiramente grande.

A nova campanha da Coca-Cola deriva das recentes “Os bons são maioria” e "Juntos pelo bem". Entre os personagens dos vídeos, estão ainda um anônimo de Londres que dá mil libras (o equivalente a 3,2 mil reais, em média) por dia para algum desconhecido nas ruas, um homem que instala balanços em San Francisco para as pessoas se divertirem, uma garota que cumprimenta as pessoas que estão chamando táxi com um “high five”, outra que paga o pedágio dos outros, um garoto que salvou um idoso em um incêndio e uma garota que planta árvores na calada da noite. Confira mais alguns abaixo.



E ai meninas oque acharam da ideia?
Xoxo

28 janeiro 2013

Inexplicável amor!



Amar é mais que se sentir segura mesmo correndo o pior perigo, se sentir inteira quando vários pedaços seus estão caídos, se sentir leve mesmo quando o peso de seus pensamentos é maior que você, é se sentir em paz no meio de uma guerra, é ficar feliz por ter sonhado com a pessoa mesmo que a metade de sua noite você tenha passado acordada tentando entender o amor e oque está sentindo, é não se preocupar se está cometendo o pior pecado ou erro de sua vida se naquele instante você está feliz, poderia dizer até que amar é simplesmente amar, mas amar não é simples é complicado, mas é lindo!
Bianca Dornelles